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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Maioria dos municípios do Pará não quer Jatene

Terça-Feira, 28/10/2014, 04:24:34 - Atualizado em 28/10/2014, 05:30:08
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Maioria dos municípios do Pará não quer Jatene (Foto: Octavio Cardoso)
O Pará tem 5,1 milhões de eleitores. A maioria foi às urnas no último domingo. Entretanto, índice de abstenções foi considerado alto (Foto: Octavio Cardoso)
Desde o último domingo, o Pará está dividido. O que foi evitado com a realização de um plebiscito em dezembro de 2011 acabou acontecendo nas urnas: 48,08% dos eleitores paraenses disseram “sim” à proposta de mudança na forma de governar, acreditando em um Estado igualitário para todos.
Helder Barbalho, candidato da coligação “Todos pelo Pará” venceu em 83 municípios, ou mais de 57% do total de 144. Simão Jatene conseguiu a reeleição em 61. O mapa de votações mostra uma clara divisão entre as regiões que receberam mais recursos e projetos do governo tucano contra as que ficaram isoladas durante os últimos quatro anos.
Os eleitores que deram 51,92% de votos a Jatene estão localizados, em sua maioria, na Região Metropolitana de Belém.
Partido ao meio, o Pará elege um governo mais fraco após a disputa eleitoral. Chamou a atenção nas eleições de domingo o alto índice (25%) de abstenções (não comparecimento às urnas) e votos brancos e votos nulos: 32,9% dos eleitores, ou 1,6 milhão de paraenses não manifestou apoio a nenhum dos dois candidatos. No Brasil, o município paraense de Melgaço, localizado na Ilha do Marajó, foi o que registrou o maior número de abstenções, com 44,57% do total de 6.260 votos válidos.
O Pará tem 5,1 milhões de eleitores. Jatene teve 1.858.869 votos. Isso significa que o atual governador foi reeleito por menos de 40% do eleitorado paraense.

COMPRA DE VOTOS
O 2º turno da campanha eleitoral no Pará foi marcado por calúnias e denúncias de compra de votos. A distribuição de mais de R$ 30 milhões em forma de Cheque Moradia foi a informação que mais resultou em denúncias. Pessoas de todas as partes decidiram denunciar a farta distribuição de uma dinheirama na reta final das eleições.
De todo o interior do Estado chegavam informações sobre a distribuição de Cheques Moradia. No município de Igarapé-Miri, região do Baixo Tocantins, por exemplo, as informações eram de que cerca de mil pessoas receberam os cheques dia 22. A distribuição ocorreu na escola Professor Manoel Antonio de Castro, em frente à delegacia da cidade.
O cadastramento das pessoas e a entrega dos cheques foram feitos pelos professores Duval (diretor da escola) e Eliana (secretária do PSDB no município), e por Dilza Pantoja, ex-prefeita de Igarapé-Miri, condenada por improbidade administrativa e hoje respondendo a processo na vara federal penal.
O Cheque Moradia é um importante programa social. O problema é que o governador Simão Jatene e seus comparsas se aproveitaram do momento para usar a distribuição de cheques em troca de votos.

PROGRAMA
O que deveria melhorar a vida da população através da construção, ampliação ou melhoria das casas dos beneficiários acabou contaminado por completo pela prática do crime eleitoral. Em Ponta de Pedras, o programa ludibriou centenas de famílias e frustrou o sonho da casa própria.
As denúncias recebidas pelo DIÁRIO e encaminhadas ao Ministério Público revelam um grande esquema onde intermediários, principalmente lideranças comunitárias, negociavam com a população carente a entrega de Cheques Moradia em troca da retenção do título de eleitor até o dia da votação.
Os líderes comunitários foram acusados de embolsar uma boa parcela do recurso oriundo dos cheques. Alguns deles estariam cobrando até R$ 2 mil de comissão. As famílias que aderem ao pagamento do líder recebem o cheque quase que imediatamente, enquanto o restante que se nega a pagar aguarda há mais de um ano pelo benefício.
Muitas pessoas foram surpreendidas no momento em que receberam o cheque, já que algumas não sabiam que deveriam fazer o pagamento dessa quantia. Quando ficam sabendo que a pessoa está indo receber o cheque, as “lideranças” aguardam na porta da Cohab para fazer a cobrança.
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(Diário do Pará)

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